Latões são top da economia circular no brasil diz pesquisa

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Latões são top da economia circular no brasil diz pesquisa

 Os latões de 710 ml e 473 ml são as embalagens de maior circularidade hoje no Brasil. Por serem mais recicladas, poupam a extração de mais matéria prima virgem e, com isso, no confronto com embalagens para o mesmo tipo de uso provocam menos impacto negativo no ambiente, quando se analisa as atuais condições do mercado de reciclagem no Brasil e com o tipo de energia usado por aqui.

É o que aponta uma análise de ciclo de vida e pegada de carbono elaborada pela consultoria alemã Sphera comparando vasilhames e garrafas de alumínio, cartonados, vidro e PET não retornáveis no Brasil, nos EUA e na Europa. A pesquisa foi feita para a Ball Corporation, fabricante mundial em embalagens de alumínio.

As latas de alumínio em geral são os envases mais coletados (97%), mais enviados para reciclagem (100% do que é coletado); têm maior aproveitamento na hora da reciclagem (98%) e da reciclagem resulta a mesma qualidade de material que o virgem. Esses quatro fatores, segundo as premissas da pesquisa, garantem sua maior circularidade.

As razões de alta reciclagem do alumínio são mais ou menos conhecidas. Alumínio vira alumínio e não um material de qualidade inferior ao produto original. Por isso, calcula-se que 75% do alumínio já produzido no mundo ainda está sendo utilizado. Latinhas são leves, fáceis de manusear e compactar para transporte.

O Brasil é o campeão mundial da reciclagem dessas latas. Enquanto a média global de reciclagem foi de 69% em 2018, por aqui, no mesmo ano, 97% das latinhas de alumínio usadas foram reinseridas de alguma forma na produção no país.

As latinhas no Brasil têm ao menos 70% de material reciclado em sua composição. O intervalo de tempo entre uma lata ser vendida e o material voltar à prateleira numa nova lata é calculado em 60 dias.

Elas são os materiais de maior preço no mercado dos recicláveis. Valem cerca de 4 vezes o valor atual do PET e 48 vezes mais do que o vidro, de acordo com dados publicados pelo Compromisso pela Reciclagem (Cempre) e usados pela Ball na pesquisa.

Por causa de seu valor, há mais interessados em coletar latinhas para vendê-las e recicladores em mais pontos do Brasil. E assim a roda gira, e o mercado se alimenta. A reciclagem do alumínio gera cerca de R$ 1,2 bilhão em receita para as cooperativas de catadores, associações e recicladores no país, de acordo com dados do setor.

Porém, apesar de todas essas vantagens, o alumínio não é livre de pegada ecológica. A extração da bauxita consome bastante energia, água e seu processamento tem consequências para o meio ambiente, como a lama dos resíduos da extração.

Para quantificar os impactos de embalagens é que foi feita a ACV (Avaliação do Ciclo de Vida), comparando vários tamanhos de materiais para bebidas mais populares - alumínio, plástico (PET), vidro e cartonado - em três regiões econômicas importantes: EUA, Europa e Brasil.

A análise inclui índices de reciclagem mundiais, perdas do processo de reciclagem, teor reciclado dos produtos e 17 tipos de impactos ambientais nas cadeias de produção. Entre os 17 impactos ambientais estão: quantidade (em kg) de CO2 equivalente na produção por litro, acidificação do solo, consumo de água, toxicidade para o solo, os rios e os oceanos.

O objetivo, segundo a empresa, além de obter os dados para uso interno, é iniciar um debate de circularidade mais completo, com parâmetros objetivos e passíveis de acompanhamento e estimular a indústria de embalagens a caminhar em direção à economia circular e ao consumo consciente.

"O ponto fundamental é que diferentes embalagens provocam diferentes impactos e o consumidor final não tinha essa informação", diz Estevão Braga, Gerente de Sustentabilidade da Ball.

Como um dos fatores importantes para comparar os produtos são os impactos ambientais, os índices devem ser observados em relação a cada região específica, com suas condições diferentes.

Segundo Braga, parte da nota positiva do alumínio no Brasil se deve à matriz energética do país. "Na América do Sul, o alumínio é o mais eficiente em energia e emissões de carbono do que no resto do mundo. Com taxas de reciclagem de 98% esse valor cai para cerca de 1,25 ton/CO2 por tonelada de alumínio", diz. "Cada 1 kg de lata reciclada poupa a extração de 5 kg de bauxita, necessária para a produção do alumínio primário", afirma.

"Para implantar a circularidade é preciso pensar a realidade brasileira. Aqui, a latinha já é circular", diz.

"As latinhas no Brasil já têm ao menos 70% de material reciclado em sua composição. Só não tem mais reciclado na latinha porque estamos - nós que fazemos latas - disputando o material com outras indústrias que usam o alumínio", diz Braga.

 

FONTE: uol.com.br