Maioria das cidades brasileiras mantém depósitos de lixo sem tratamento

Home / Novidades / Maioria das cidades brasileiras mantém depósitos de lixo sem tratamento

« Voltar

Maioria das cidades brasileiras mantém depósitos de lixo sem tratamento

Aqui no Brasil, a política nacional de resíduos sólidos completa, nesta quinta-feira (2), oito anos. Mas em mais da metade das cidades, o lixo ainda não tem destinação adequada.
 
Do alto, vemos montanhas de papéis e plásticos queimando perto da mata. É o Jardim Gramacho, na região metropolitana do Rio, onde até 2012 funcionou o maior lixão da América Latina. Mas até hoje o lixo ainda domina a paisagem.
 
Uma em cada quatro casas no Brasil nem tem coleta de lixo. Das mais de três mil cidades pesquisadas, só seis alcançaram a pontuação mais alta no chamado Índice de Sustentabilidade da Limpeza Urbana, todas com menos de 50 mil habitantes.
 
“Pequenos municípios conseguem ter bons resultados na adesão da política, desde que se unam, busquem uma solução conjunta, uma solução regional para os seus problemas na área e criem uma infraestrutura e rateiem os custos”, diz Marcio Matheus, presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Limpeza Urbana.
 
Por lei, todos lixões do Brasil deveriam ter sido fechados até 2014. Só que até hoje a maioria das cidades brasileiras mantém depósitos de lixo sem qualquer tratamento. Aterros sanitários como os que compactam e tratam todos os resíduos da cidade do Rio de Janeiro ainda são raros e exigem investimentos que nem sempre as autoridades enxergam como prioridade.
 
O aterro é uma montanha de lixo compactado e coberto de argila. Depois ganha uma cobertura de grama. O gás metano produzido pelo material em decomposição é queimado e vira gás carbônico, bem menos poluente. E o chorume, extremamente tóxico, é tratado antes de ser devolvido transparente à natureza.
 
No Sul, quase 90% dos municípios depositam o lixo em aterros sanitários. No Sudeste, pouco mais da metade. A pior situação é no Nordeste, onde apenas 11% das cidades dão a destinação adequada para o lixo.
 
E quando o assunto é reciclagem, o Brasil tem um caminho longo pela frente. Reciclamos menos de 4% do lixo.
 
O estudo afirma que, no ritmo atual, o Brasil só vai cumprir os objetivos de reduzir o impacto ambiental do lixo nas cidades em 2060, três décadas depois do prazo estabelecido pelas Nações Unidas, que é 2030.
 
“Quando a gente compara a outros países ou até ao avanço que o país vem fazendo ao longo dos anos, a gente precisa avançar muito, avançar na qualidade da coleta, na qualidade da destinação desses resíduos “, afirma Carlo Linkevieius, secretário executivo da Rede Brasil do Pacto Global da ONU.
 
FONTE: g1.globo.com